A Rede Irerê de Proteção à Ciência manifesta sua profunda consternação diante do assassinato do professor Davi Said Aidar, docente da Universidade Federal do Amazonas, vítima de um crime bárbaro que chocou a comunidade acadêmica e científica do país.
Trata-se da execução de um pesquisador renomado, servidor público federal, cuja trajetória foi dedicada ao ensino, à pesquisa e à produção de conhecimento estratégico para a Amazônia. A gravidade do ocorrido ultrapassa a dimensão individual da perda e impõe ao Estado brasileiro a responsabilidade de garantir uma investigação profunda, técnica, célere e absolutamente transparente.
A Rede Irerê reconhece a competência institucional da Polícia Civil do Amazonas, responsável pela condução inicial das apurações. Contudo, entendemos que, diante das circunstâncias — envolvendo um servidor federal, professor de Ciências Agrárias, morto em território marcado por histórico de conflitos fundiários e pressões estruturais sobre o campo e a produção científica — é necessária a federalização do caso, com a atuação e o acompanhamento da Polícia Federal.
A presença da Polícia Federal não representa desconfiança na capacidade das autoridades estaduais, mas sim um reforço institucional compatível com a natureza do caso. A federalização assegura monitoramento ampliado, diálogo interinstitucional e maior robustez investigativa, especialmente quando há potencial repercussão nacional e implicações relacionadas à proteção de servidores públicos federais e da atividade científica.
A morte de um professor universitário em tais circunstâncias não pode ser tratada como mais um caso isolado. É dever do Estado assegurar que a ciência brasileira não seja silenciada pela violência.
A Rede Irerê permanecerá vigilante, solidária à família, colegas e estudantes do professor Davi Said Aidar, e firme na defesa da vida, da pesquisa e da integridade dos cientistas brasileiros.


