A Rede Irerê de Proteção à Ciência anunciou oficialmente a ampliação de sua agenda de atuação, incorporando a defesa e proteção de denunciantes de interesse público — prática internacionalmente conhecida como whistleblowing. O objetivo é apoiar pessoas que revelam, de forma responsável e fundamentada, informações sobre irregularidades que afetam a coletividade, como casos de corrupção, fraudes, danos ambientais, perseguição a pesquisadores e ameaças à saúde pública.
A decisão de incluir o tema em sua pauta institucional surge em um contexto global de fortalecimento das políticas de proteção a informantes. Na União Europeia, a Diretiva 2019/1937 estabeleceu padrões mínimos de proteção, garantindo anonimato e segurança jurídica aos denunciantes. Nos Estados Unidos, leis federais dão suporte a trabalhadores que expõem fraudes corporativas ou governamentais. No Brasil, o debate ainda é incipiente, mas vem ganhando força em meio a casos de repercussão envolvendo transparência e combate à corrupção.
Segundo a coordenação da Rede Irerê, a inclusão desse eixo dialoga diretamente com sua missão de proteger a produção científica, os pesquisadores e a sociedade contra perseguições políticas e econômicas. “A ciência, a democracia e a transparência caminham juntas. Proteger quem denuncia irregularidades é essencial para que a sociedade avance em direção a uma cultura de integridade”, afirma a Rede em nota.
A nova frente de atuação prevê a produção de conteúdos educativos, a realização de eventos de sensibilização e a articulação com outras organizações nacionais e internacionais que trabalham pelo fortalecimento do whistleblowing. O site da Rede Irerê já conta com uma seção dedicada ao tema, reunindo referências internacionais e informações jurídicas adaptadas ao contexto brasileiro.



